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Facebook – A rede que define o que é notícia

O Facebook é hoje o player número 1 na hora decidir o que vira ou não notícia. Segunda a pesquisa da Ogilvy Media, a rede social de Mark Zuckerberg é o Gatekeeper supremo.

Gatekeeper é o jargão jornalístico para aquele que define o que será noticiado de acordo com o valor-notícia, linha editorial e outros critérios.

No caso do Facebook, podemos adicionar outro fator importante que é o seu algoritmo, célula de inteligência artificial que define o que irá aparecer em seu feed de notícias.

Você pode dizer até dizer que o Facebook não produz notícias. No entanto, para a pesquisa, é através dessa rede social que a informação ganha mais visibilidade.

Os resultados foram baseados nas opiniões de mais de 250 profissionais de meios de comunicação em toda a América do Norte, países da Ásia-Pacífico (APAC) e as regiões européia, do Oriente e África (EMEA).

Depois do Facebook, aparecem os veículos tradicionais de imprensa, o Google e o Twitter como Gatekeepers das notícias. São eles que decidem o que vai para a esfera pública.

Facebook - O Gatekeeper número 1

A pesquisa traz outras informações interessantes. Para os profissionais consultados, é o jornal impresso que tem tido maior sucesso na adaptação ao mundo digital. Sem dúvida, é também o mais pressionado e carente de novos modelos de negócios.

Lembremos que a TV é a outra plataforma de mídia citada na pesquisa. No quesito inovação, a percepção geral é de que ela está atrás do jornal impresso.

De que forma acontece essa adaptação? Com plataformas digitais como o live do Facebook ou Instagram, e-mail marketing e podcasts.

Os smartphones também estão nessa lista. Eles revolucionaram a forma de consumir conteúdo e até de os jornalistas produzirem.

O sucesso de aplicativos mobile como o Snapchat e o recurso do Instastories estão modificando o formato dos vídeos produzidos, que deixam de ser wide para serem cada vez mais verticais.

Os smartphones também ajudaram a potencializar o jornalismo participativo, permitindo que usuários colaborem com veículos de imprensa de forma mais simples e instantânea.

Na parte de produção, o smartphone deixou muito mais simples gravar reproduzir conteúdo audiovisual.

A pesquisa também perguntou qual parte do mix de comunicação é mais eficiente na hora de construir reputação e influência.

Em primeiro lugar, aparece a “Earned Media”. Eis o conceito disponível no Wikipedia:

Earned media é todo o conteúdo “conquistado” por uma marca ou empresa, produzido ou partilhado pelo seu público sobre si, seja através de word of mouth, fóruns, opiniões, recomendações, comentários nas redes sociais ou através de artigos em blogs ou meios tradicionais de comunicação.

Depois, aparecem os perfis em redes sociais de um veículo, os influenciadores e a mídia paga.

Interessante observar a valoração negativa do conteúdo que é impulsionado em redes sociais. Os jornalistas gostam do que gera buzz de forma orgânica. O problema é que o Facebook segue restringindo o alcance de um post sem mídia.

Nessa relação, os jornalistas atribuem ao Facebook a capacidade de multiplicar o alcance das notícias, no entanto,  entendem que a rede social funciona como um agregador que, em última instância, envia o usuário para a fonte original da notícia.

Essa relação ainda é amigável, mas iniciativas como o Instant Articles do Facebook podem alterar esse quadro em um futuro não tão distante. Se os usuários consomem notícias direto na rede social, os sites vão perder tráfego, perder capacidade de atrair anunciantes…

No Brasil, por exemplo, a Folha de São Paulo é um dos veículos que aposta num modelo de negócios em que o usuários pagam para consumir notícias dentro do site do veículo.

Instant Articles - Ferramenta do Facebook que permite a publicação de notícias direto na rede social

Instant Articles – Ferramenta do Facebook que permite a publicação de notícias direto na rede social

A introdução da mídia digital no mix de comunicação mudou completamente o modelo tradicional, exigindo que os meios de comunicação modificassem suas estratégias de distribuição para acompanhar as demandas dos consumidores.

À medida que a era da mídia digital continua a transformar a criação, distribuição e consumo de conteúdo, estamos começando a ver os meios de comunicação abraçarem novas formas de contar histórias.

No meio dessas transformações está o Facebook. Até onde ele vai e qual será o modelo de negócios para os veículos de comunicação são algumas das reflexões que se impõe desde já.

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