A nova audiência

A nova audiência das histórias – Quem é o fã?

A nova audiência é um dos três pilares que compõe o storytelling moderno, aquele que é contado através de múltiplas plataformas de mídia. Storyworld e tecnologia/experiência são os outros dois pontos fundadores.

Obras ficcionais, documentais ou publicitárias sempre estiverem em função da audiência, isso não é a novidade.

Essa nova audiência falada refere-se, principalmente, ao entendimento dos diferentes níveis e tipos de engajamento que as pessoas podem ter com uma  histórias.

O envolvimento que as pessoas passaram a ter com as histórias, de maneira geral, mudou a forma como as empresas estão pensando e criando seus conteúdos.

A nova audiência

A tecnologia e a quebra do pólo emissor de conteúdo (qualquer um pode produzir e distribuir conteúdo globalmente) permitiram o fortalecimento e consolidação de um novo tipo de audiência, o fã.

O busca um engajamento e aprofundamento maior dentro do universo narrativo. Ele quer discutir em ambientes sociais sobre as histórias, ele quer conteúdos extras em todos os tipos de mídia, ele quer co-criar novas histórias e compartilhá-las em redes sociais. O fã deseja viver experiências imersivas e inesquecíveis.

Não há riqueza e patrimônio maiores para uma história, conteúdo ou franquia do que o . Ele leva adiante, discute, amplia, ressignifica, transforma e potencializa o alcance de tudo.

Os fãs, no entanto, são uma parte da audiência. Qualquer pessoa deve poder decidir o quanto deseja se aprofundar em um universo narrativo, mas é importante que você conheça a lógica de funcionamento de nova audiência e reconheça a importância dela para a sua história.

A nova audiência quer explorar mundos narrativos maiores e mais ricos. Com o apoio da tecnologia, eles querem disseminar esses conteúdos globalmente. Eles também querem viver a experiência da história em novos formatos. AR, VR, 360 são alguns exemplos de novos caminhos para se contar uma história.

A nova audiência

Dentro da lógica transmedia, a nova audiência pode se conectar com a sua história através de múltiplos pontos de entrada. Filme na TV, na internet, cinema, rádio, redes sociais, filme no Youtube, entre outras milhares de possibilidades.

Em cada um desses pontos de entrada é fundamental uma contribuição única do conteúdo para o enriquecimento do universo narrativo. Ele deve funcionar como uma peça isolada, mas também deve apontar para um universo maior.

A nova audiência gosta de formar comunidades ao redor de suas histórias favoritas. São grupos de pessoas com interesses comuns que de forma colaborativa contribuem para um crescimento do conhecimento coletivo sobre uma história.

A inteligência coletiva, conceito proposto por Pierre Lévyé a inteligência compartilhada que surge da colaboração de muitos indivíduos em suas diversidades. É uma inteligência distribuída por toda parte, na qual todo o saber está na humanidade, já que ninguém sabe tudo, porém todos sabem alguma coisa.

Provavelmente, você já viu isso acontecer. Após mais um episódio de uma série favorita, as pessoas vão direto para o Facebook, Twitter ou fóruns discutir, criticar, elogiar ou buscar informações sobre os episódios.

Para esse público, adicionar novas camadas a uma história é um prazer e uma forma de envolvimento.

Segundo o professor Henry Jenkins, existem 5 fatores que contribuem para o fenômeno do crescimento do fandom (participação do fã) e formação da nova audiência:

– A lógica do entretenimento, como evidenciado pela presença nos programas de TV, séries e reality shows;
– A lógica da conexão social, que se expressa através das discussões em sites e redes sociais;
– A lógica dos especialistas, simbolizada pela inteligência coletiva (Levy) trazida pelos fãs para fins de criação, produção e discussão;
-A lógica da imersão, que encoraja a participação e aprofundamento;
– A lógica da identificação, que permite que os fãs estabeleçam uma identidade dependendo do que assistem.

Um bom case para estudo e para vermos como aplicar essa lógica está no lançamento de uma das temporadas de Game Of Thrones. O exemplo não é novo, mas ainda me parece válido.

Diversas ações foram criadas para envolver o público na premiere da temporada. O interessante é ver como GOT entendeu os diferentes níveis de engajamento do público e criou ações que permitiam você se envolver menos ou mais profundamente. A decisão era do público.

Cada ação, que você visualizar abaixo, requer um nível diferente de engajamento do público. Todas, no entanto, ambicionavam criar uma experiência imersiva para as pessoas.
Comer como se faz em Westeros, tocar em artefatos desse universo ou visitar a muralha de gelo numa experiência 360º são alguns desses exemplos de experiências imersivas. Cada uma delas apontava para um sentido como olfato ou tato.

HBO Maester’s Path – Campfire Case Study from Campfire on Vimeo.

Game of Thrones - Artefatos com cheiros foram enviados para influenciadores digitais

Game of Thrones – Artefatos com cheiros foram enviados para influenciadores digitais

 

Game of Thrones - FoodTruck da série

Game of Thrones – FoodTruck da série

Game of Thrones - Visita a Muralha de Gelo

Game of Thrones – Visita a Muralha de Gelo

Leia também: Os 3 pilares de uma estratégia transmedia

 

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